Quando cheguei ao meu reino (eu ainda não era rainha), percebi que era muito antigo, construído por almas que de tão antigas tiveram seus nomes esquecidos, tão esquecidos quanto o próprio reino...seus portões estavam tomados pela floresta que escondia a fachada do castelo como a querer que o reino continuasse da forma que estava, mas uma voz vinda de outros tempos me dizia para avançar, corajosamente e com a proteção de mil deuses enfrentei a floresta e seus desafios. A cada passo à frente deixava para trás a escuridão e descobria a luz do sol teimosamente penetrando entre nuvens e folhas, consegui enfim divisar o castelo que outrora abrigara uma abastada corte e naquele dia mal se conseguia acreditar em tal fato!
O cheiro do passado subiu-me às narinas assim que pus os pés dentro da construção, teias de aranhas e poeira estavam alí como testemunhas do tempo transcorrido e seguros, me diziam :
-Vá, nada aqui te convém!
Porém, o castelo era mágico e me disse:
-Fique! Em tempos muito remotos pessoas aqui foram felizes, sinto falta da felicidade! Aranhas e poeira não são charmosas para um Castelo como eu!
A voz do Castelo me cativou, as almas que no passado coloriram aquele espaço também me pediam para ficar:
-Seja bem-vinda-falavam - há muito que esperamos alguém que possa ser tão ou mais feliz aqui do que nós tivemos a ventura de ser!
As vozes do passado também me cativaram, mas eu ainda estava na dúvida, como conseguiria? Porém, os mil deuses que me acompanhavam também se manifestaram:
-Fique, lhe daremos forças, sorte e proteção!
Assim que decidi ficar as nuvens delicadamente se afastaram do sol, e este iluminou cada pedacinho do reino revelando flores de todas as cores, formatos e tamanhos, fadas e duendes comemoravam minha decisão, o vento dançava contente e me presenteou um um aroma doce de primavera.
Descobri, enquanto limpava e arrumava o castelo, que seres encantados habitam cada planta da floresta e a dividem com borboletas de variadas cores, pássaros de todos os cantos, lagartas, insetos e vermes que em agradecimento, preservam-lhe a alegria, a fertilidade e a vida. As plantas que dominavam as torres se recolheram deixando a vista a antiga cobertura e dando ao castelo o ar garboso de outra Eras. A princesa Giovanna (que ainda não era princesa) me trazia alimento e companhia, mas faltava alguma coisa ainda naquele reino. Eis que um dia, chega um viajante e se oferece para ajudar, naquele instante reconheci meu Rei e ele me fez Rainha e de nossos filhos Príncipes e Princesas!
A mágica do Castelo estava completa!
Agora ele respira a felicidade que ficou imantada em suas paredes e as almas do passado sorriem ao nos desejar boa sorte.
Em nosso reino, todos são bem-vindos!
Andrea Mierzwa
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